quinta-feira, 26 de março de 2015

DEPRESSÃO

Conheci um proctologista que fazia uma lúcida conclusão sobre o tema hemorróidas....
Sim, o tema é depressão, mas quero falar de um proctologista mesmo e vocês irão entender o porquê...rs
O primeiro motivo porque   estabeleço esse paralelo é a minha natureza debochada. Tratar assuntos sérios com ironia com certeza os torna infinitamente mais leves. O segundo motivo é que ambas as doenças são extremamente comuns, mas igualmente desconfortáveis para que as pessoas tenham coragem de assumi-las...rs..
 
Bom, vamos lá...
Esse médico dividia seus pacientes em três grupos: os que tiveram, os que tem e os que terão hemorróidas. Talvez pela posição ereta que o homem evoluído adotou, sei lá. Mas, fato é que eu ainda adicionaria um quarto grupo a esse trio: os que tem, mas ignoram e não admitem nem pra si nem pra ninguém..Quem gosta de assumir que leva um pequenina couve flor em seu corpinho? hahahaha...não resisti a piadinha...
 
Considerando esse ponto de vista, dirigindo pelas ruas da vida, solitária e pensativa, de repente me veio a associação desse grupo de enfermos retais aos deprimidos.
Gosto muito de refletir enquanto dirijo. Minha mente voa longe e as associações mais bizarras acontecem. Não é raro me verem rindo sozinha no carro. Foi quando pensei sobre a depressão e um link mental me conduziu à classificação do citado proctologista.
 
Vejam se eu tenho razão....
Os deprimidos também podem ser divididos nestes mesmos quatro grupos que citei acima: os que tiveram, os que tem, os que terão e os que se negam aceitar que tem.
E por que ela atinge a todos? Será mesmo a depressão um mal do século?
Ou será ela uma "doença" muito mais antiga e, ao invés de "doença", deveria ser classificada como uma condição inerente ao ser humano?
Fico com a segunda opção! A depressão tem um caráter obrigatório na nossa vida. Não há como passar pela existência sem senti-la. Podemos, como já disse, ignorá-la, mas deixar de sentir, jamais.....
 
Eu estou no grupo dos que tiveram e, por isso me sinto apta para analisar um pouco desse momento.
Posso afirmar com segurança que enquanto fiz parte daquele grupo que "ignorava a depressão", bloqueando os meus sentimentos, por não admitir tal "fraqueza ou fracasso", eu era uma pessoa extremamente instável. Picos de alegria revezavam com momentos profundos de tristeza.
E quem era a Dani, eu me perguntava...Uma mulher bipolar??rs...
 
Consegui fingir indiferença aos sintomas por muitos anos, deslocando meus sentimentos angustiantes para projetos e realizações externas. Assim, a gente casa, arruma emprego, tem filhos, constrói casas, separa, vive paixões, viaja, mas, ao fim de tudo, fica aquela coisa desagradável pulsando dentro do nosso íntimo para a qual não encontramos explicação. E mais projetos idealizamos, afinal, a sociedade nos ensina que quem tem uma vida minimamente realizada externamente, não tem direito a se deprimir. Deprimir é considerado sinal de fraqueza ou de falta de agradecimento a vida por tudo de bom que ela já lhe deu.
"O que lhe falta para sentir-se feliz, meu rapaz? Sua vida é perfeita!"
 
Já para quem tem uma vida sofrida, a depressão é mais aceita, mas isso não significa que seja enxergada como deveria ser -  a protagonista da cena. A pessoa tem tantas necessidades que não faltam justificativas para a sua sensação de tristeza... Saúde, amores, dinheiro, falta de filhos, etc....E nestes itens são despejadas todas as sensações de angústia. São necessidades tão imediatas que nem sobra tempo para olhar para dentro de si, não é mesmo?
 
Mas, voltando à minha experiência, pois só dela posso falar com exatidão, eu bloqueei a depressão enquanto pude, mas em torno dos meus 34 anos, ela venceu a batalha e me jogou no mais profundo mergulho dentro de mim mesma.
Mas, curiosamente, aquela que antes eu via como uma situação de fracasso, se mostrou como um momento de reconstrução interior não só necessário como imperioso e, ao final, extremamente gratificante.
A depressão não é um fim em si mesmo, mas um MEIO para que possamos reconstruir nossos caminhos!
 
E é dessa característica positiva da depressão que falarei no próximo post. De como podemos transformar essa adversária maléfica num cordeirinho, e transformar a nossa sensação de fracasso na escolha positiva de um novo rumo para a nossa vida...:)
 
 
 

Um comentário:

  1. "Quem gosta de assumir que leva um pequenina couve flor em seu corpinho? hahahaha...não resisti a piadinha..."

    hilário! ponto alto do texto!

    abç

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