domingo, 13 de julho de 2014

Post 4 - A águia e a galinha


Na busca pelo sentido da vida, me apaixonei por alguns livros e autores.
O primeiro que citaria é  "A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana" , de Leonardo Boff.
Este belo livro descreve a nossa natureza dupla, com sentimentos antagônicos em nosso íntimo, os quais devemos identificar e integrar para que coexistam em harmonia.
Somos águias, e, por isso,  somos seres predestinados a alçar voos infinitos. Ao crescermos, nos deparamos com um número incontável de possibilidades para as nossas vidas.
Mas, não nos é dado o direito de desfrutar "ad eternum" de todas estas infinitas possibilidades. E isso, obviamente, se justifica por várias razões psicológicas, físicas, afetivas e materiais.

Em função dessas limitações naturais, já que vivemos em sociedade, e nossos atos invariavelmente atingem terceiros, devemos saber a hora de  reduzir algumas das nossas expectativas, e ao invés de pretender grandes vôos como águias, aceitarmos a nossa condição  de galinha, nos limitando a um pequeno terreiro, onde possamos viver em segurança, sem grandes aventuras.  

Harmonizar características tão contrastantes e identificar a hora em que um ou outro modo de vida deve ser abandonado é que é a parte difícil. 

O que quero dizer é que há a hora da águia e a hora da galinha. Ninguém suporta viver cem por cento do tempo sendo um ou outro. Ao contrário, a sabedoria está em sabermos quando ser um ou outro.
Eu acredito que todos nós saibamos quando algo precisa ser mudado. Há uma sensação de mal estar crônico que vai e volta. Podemos até não conseguir nomear corretamente este incômodo,  mas ele está ali, latejando em nosso peito, em forma da já conhecida "angústia humana". 

Casamentos infelizes, empregos insatisfatórios, estilo de vida insuportável....
Por que as pessoas os tem, e pior, os preserva por anos a fio, quem sabe pela vida toda, chegando ao fim com aquela sensação de arrependimento de suas escolhas?

O Espiritismo provavelmente justifica essa insistência no sofrimento com base no conceito do carma. Respeito isso. Faz sentido, mas penso que há limites.

A Psicanálise se fundamenta no inconsciente e no prazer causado pelas situações desprazerosas. Acredito profundamente nisto. Há pessoas que só sabem viver como vítimas, se lamentando de tudo e de todos. Qual o papel lhes restaria se elas conseguissem se livrar do opressor? Ficariam totalmente sem identidade. A única saída seria um bom trabalho terapêutico, ao qual todos sabemos que muitos não aceitam fazer.

Mas, penso também que as pessoas só deixam suas vidas passarem em brancas nuvens ou em tremendas tempestades porque não são conscientes do seu fim.

A incapacidade em enfrentar a mortalidade as faz robôs autômatos de conceitos pré-estabelecidos de uma sociedade doente, onde tudo é mais importante do que uma vida feliz e serena.... E nessa linha, deslocamos nossa angústia do fim para comportamentos recorrentemente nocivos à nós mesmos.
Continuamos outro dia... :)

Nenhum comentário:

Postar um comentário