domingo, 22 de junho de 2014

Post 1 - Por que morte?

Ops, lá vem a Dany falar de morte....Que mulher mörbida....Pra que pensar nisso? O importante é viver feliz!!

Ok....ok...Cada um tem sua opinião.
Mas, como podemos ser felizes de fato se não administrarmos e aceitarmos a nossa mortalidade?
O que vou falar aqui não é resultado de nenhum estudo científico ou religioso. As conclusões que cheguei sobre o comportamento humano em relação a morte nasceram de uma observação contínua ao longo desse meu quase meio século de vida.
Um resultado empírico,  onde com certeza eu poderia elencar dezenas de casos tipicos e recorrentes de pessoas que ignoram sua mortalidade, fazendo de suas vidas um constante "empurrar com a barriga", como se a elas fosse dada a benesse da eternidade para mudar aquilo que não gostam ou as deixam infelizes. 
Confesso que tenho muita dificuldade em compreender pessoas assim. 
Mas, por outro lado, reconheço que hä muitas razões para que esse comportamento estático e acomodado seja mais comum do que deveria. Falaremos dessas razões ao longo das próximas postagens.
Mas, voltando ao tema morte...
Passei toda a minha vida tentando conciliar essa consciência da morte com uma vida qualitativamente melhor. Para aqueles que bem me conhecem, sempre me dispus a debater este tema, no afã de clarear e solidificar  meus conceitos, mas também para incentivar meus amigos a buscarem a paz e a felicidade com mais atitude.
Concordo que num mundo veloz e interessante como o nosso, com tantas atribulações que carregamos, parar para refletir sobre a morte e sobre o que é importante de fato na vida soa meio melancólico ou depressivo.
Afinal, temos que ter sucesso, ganhar dinheiro, adquirir bens, conhecer pessoas e lugares, que o tempo para pensar não tem lugar em nossas vidas maravilhosamente dinâmicas. Ainda mais em tempos de facebook, onde somos todos bem sucedidos, felizes e realizados, postando uma sucessão de fotos que demonstram a nossa "wonderful life" estilo "Caras". Nös com nossos eleitos ou eleitas, acompanhados de nosso clã em momentos paradisíacos. (linguajar de Caras).
Esse momento para pensar na vida e na morte fica então reservado para 3 situações,  onde já não há muito o que fazer com as conclusões alcançadas. 
Elas são a velhice, a doença ou  a morte iminente. 
Não raro, escutamos os idosos dizerem que fariam tudo diferente se pudessem voltar no tempo. Aos doentes cabem as lamentações por uma vida desperdiçada, e que agora não hä mais tempo para mudä-la. E àqueles que estão com as horas contadas, nem sei dizer o que lhes cabe. O tempo é curtíssimo e implacável. Acho que eu lhes diria: -Vai do jeito que pode e reze para existir reencarnação, pois essa será sua única chance de viver uma vida feliz enfim.
Eu me considero no lucro, pois ainda não estou idosa...rs..
Quando fiquei doente, já estava enredada no tema e apenas aproveitei o momento para aprofundar minhas observações,  e nem estou na iminência de morrer. Aliäs, quando este dia chegar, nada de arrependimentos em meus pensamentos. Terei apenas a certeza de que vivi feliz e em paz, porque estas foram minhas prioridades. 
Meus questionamentos surgiram na adolescência, por ocasião da morte da minha mãe.  Muito mais do que perder o meu porto seguro, aquela situação inusitada me despertou dúvidas sobre o verdadeiro sentido da vida e do conceito de felicidade.
Quando você cresce num ambiente onde não se conversa sobre a morte porque pode "atraí-la", ou se associa este evento a "castigo divino", ou, ainda, onde os pais, quando questionados se vão morrer (receio natural de todas as crianças), respondem que sempre nos protegerão e que não DEVEMOS PENSAR NISSO, o resultado é cataströfico quando a morte se apresenta.
Não foi diferente comigo. 
Morreu? Como assim? Ela não merecia ser castigada. Era uma boa pessoa. 
Não "podia" morrer (essa eu acho a melhor), pois tinha duas filhas para criar. Tinha tantas preocupações e de que serviram? 
Ahhhh, foi o cigarro ou foi o stress ou o descuido com a saúde...Ou ainda, erro médico!  Isso, com certeza, o médico errou!

Desta forma ignorante, no sentido de desconhecimento total do tema, os parentes sobreviventes ficam alucinados em busca de uma justificativa para a partida prematura daquele que tanto amavam. Perdem-se em inúmeras hipóteses infrutíferas. 
Esquecem-se apenas de aceitar o que sempre se recusaram a ver.
Que o fim é certo, mas indeterminado. Quem está vivo, morre!
"Quem beijou, beijou, tô fechando o caixão", diz o dito popular.
A curiosidade pelo tema  que teve aquele ponto de partida,  hä quase 30 anos, em 1985, impôs um caminho que não desejei começar a trilhar tão cedo, mas que jamais me permitiu  voltar.
Mas, hoje sou grata a tudo pelo que passei.
Ao longo dos próximos posts, espero que os leitores alcancem a beleza que a compreensão verdadeira da morte pode trazer às nossas vidas. Que percebam que, o que num primeiro momento se apresenta como dor, pode significar salvação.  TUDO DEPENDE DO PONTO DE VISTA. 
 ;)

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